O empresário do crime, pistoleiro, agiota e mais alguns adjetivos que podem ser encontrados no Código Penal, Floro Calheiros, está usando de todos os artifícios para se defender do indefensável. Isto é, tentando justificar uma fuga da 1ª DM em 2003, o que lhe deu quase cinco anos de férias em vários lugares do país, tais como Machadinho do Oeste, Teixeira de Freitas e Gurupi, onde terminou indo em cana novamente, depois de ter sido capturado ao receber uma pizza, pelo delegado Marcelo Cardoso, num belo trabalho da Polícia Civil de Sergipe.
Durante sua anterior hospedagem na delegacia, queriam matá-lo para se vingar de algo ou queimar algum arquivo, ou sei-lá-o-quê, que ele deve saber. Acusa diretamente um militar que foi membro da equipe de captura de sua primeira custódia em Sergipe, o Sgt. Naílton, Cabo à época, e o Desembargador Luiz Mendonça, secretário de segurança em sua prisão. Disse ter pagado R$ 20 mil para Naílton facilitar a fuga, pôr o carro na porta da delegacia e levá-lo para fora da cidade. Desistiu, deu o dinheiro à Naílton e saiu sozinho, sendo que ele já estava sendo procurado por mais de cinco mil homens da polícia naquela mesma tarde. Acho difícil ele ter saído só. Afinal, um homem só num carro branco tentando sair da cidade seria presa muito fácil para as autoridades policiais.
Floro diz que tentaram matá-lo, envenenaram sua comida e até planejaram blitzes para proceder à eliminação. Não seria mais simples ele ser morto dentro da delegacia com um “suicídio”? Não creio que quem quisesse prender, mandasse matar. Se for assim, nos próximos dias, Calheiros, em depoimento irá dizer que quem quer matá-lo agora é o atual governo, já que seu tom discursal é similar ao de um perseguido político. Só vai faltar ele dizer que é da oposição e tem que ser silenciado.
Há alguma coisa escondida aí nos depoimentos de Floro, afinal, não se faz uma fuga cinematográfica pela porta da frente ou pulando o muro, seja lá como for, e ficar tirando férias do cárcere durante quase cinco anos. Pelo visto, Calheiros está protegendo alguém que lhe ajudou na fuga ou elaborou todo o plano. Pois a segurança escalada para a delegacia, enquanto estava hospedado lá, era muito rígida e até os moradores eram revistados para chegar às suas casas. Nos depoimentos, Floro continua acusando as mesmas duas pessoas de agir contra sua vida, veementemente, ele acusa Luiz Mendonça e Naílton por tudo o que há contra ele. Será que eles são os responsáveis pelos crimes que Floro cometeu na Bahia, inclusive sendo autor intelectual do assassinato do ex-deputado Mauricio Cotrim?
Falando em deputado, lembremo-nos de Joaldo Barbosa, de tão querida memória. Um parlamentar que tinha compromisso com o povo de Sergipe e que foi brutalmente morto com o descarrego de um revólver em todo o seu corpo, na presença dos filhos. Vários acusados já estão atrás das grades e todos eles levavam os seus apontamentos para Floro Calheiros, que nega conhecer todos os envolvidos. Até mesmo o “Munganga”, seu parceiro em Sergipe, ele desconversa ao ser citado. O seu antigo amigo Galindo, ex-prefeito de Canindé, hoje é inimigo mortal, a ponto de ter mandado matar o radialista Zezinho Cazuza para incriminá-lo. Quem disse isso foi um dos seus leais funcionários, o pistoleiro “Alemão”, ouvido em Sergipe, após ter sido preso na Bahia, onde confirmou a ligação de Floro com a morte de Cotrim.
Joaldo pagou com a vida uma dívida de outra pessoa. Segundo os autos do processo, a dívida era do deputado Antônio Francisco, que presumivelmente, sem saber tinha encomendado a morte de Joaldo, ao ter que garantir uma vaga na Assembléia para segurar o mandato. Afinal, alguma coisa tinha que acontecer á alguém para ele ter seu mandato. Quem em sã consciência deixaria de ser deputado? Saída: mata-se alguém.
O militar Naílton disse em depoimento que tem um protocolo registrado na Corregedoria de Polícia, informando que Floro estava em posse de uma pistola e vestido com um colete ao vê-lo na sua pensão prisional, que Calheiros tentou atacá-lo e que dizia não ser bandido, minorando o policial que o engaiolou.
Floro, aqui de volta depois das férias interrompidas bruscamente pelo trabalho de Kércio Pinto e Cia., quer agora falar com a imprensa em coletivas. Será que ele é o “popstar” que acha o povo acreditar? Quer agora a possibilidade de Roberto Jefferson, o advogado de Collor, deputado com mandato cassado por ter admitido esquema de compra de partidos e votos de bancada, prova que o povo está elegendo mal seus representantes, e acho que talvez uma inspiração para Juarez Batista, o homem que assumiu para o país inteiro que surrupiou dinheiro público e agora quer voltar ao comando do município que o pobre do Moacir tanto ralou para equilibrar. No fim das contas o que Floro quer é um advogado “celebridade” para seu caso.
O homem que está com pensão no COPE, conseguiu ficar como único hóspede do local, mandou embora quarenta cotados que estavam lá aguardando seu julgamento. Isso é que é tratamento cinco estrelas para um empresário do ramo de criação de gado, empréstimo pessoal e finalização de vidas. Floro quer de todas as formas aparecer nas telinhas e jornais, parece que o “Linha Direta” não foi suficiente. Mas nisso tudo, o que ele vai continuar fazendo é acusar as mesmas pessoas, dizer as mesmas coisas e negar tudo, até o roubo de urnas do qual ele é acusado lá em Canindé. A vítima Motinha, era seu amigo, Zeizinho Cazuza, era seu amigo, Josualdo era amigo e sergurança, e “Alemão” disse que ele mandou mais alguns “amigos” para uma cisterna. Enfim, ele não vai admitir nada e só ficar enrolando e cada vez mais enrolado. Ele deve estar tentando uma oportunidade de ser canonizado, deve ser como “ajudante de Deus”, no sentido de adiantar o que só a obra divina pode decidir, o fim dos dias de cada um.